quarta-feira, 28 de março de 2012

O Sorriso


Boa tarde, Senhoras e Senhoras que respeitosamente continuam a visitar este CCB blogosférico de partilha unilateral de ideias.

O tema que resolvi abordar hoje prende-se com o sorriso, esse maravilhoso fenómeno que empresta significado a coisas insossas e ridiculariza a mais complexa e elaborada tese de doutoramento.

Depois de muito ter reflectido sobre o assunto, (mais ou menos 5 minutos, GMT), estou em condições de afirmar, de forma inequívoca, que as pessoas riem basicamente por dois motivos: Por tudo e por nada.

Mas antes de me debruçar sobre os motivos que levam as pessoas a sorrir, urge referenciar duas categorias distintas de pessoas: Os Sisudos e os Brincalhões.

O Sisudo é aquela personagem que ao manter uma aparência sóbria, austera e de trato um tanto ou quanto impessoal, espera granjear o respeito do Mundo e sobre o Mundo. Engraçado que é, não raras vezes, o mais visado e ridicularizado. É aquela pessoa que nunca chega atrasada ao trabalho, mas se chegasse, ninguém dava conta, já que antes dele, teriam chegado a horas os 232423457458375 funcionários igualzinhos a ele, quer ao nível do vestuário, quer ao nível do discurso.

O Brincalhão é aquele que não tem remédio, que ridiculariza toda e qualquer troca de ideias, que procura constantemente os trocadilhos e o absurdo. A maior parte das vezes não é levado a sério (nem o poderia ser, já que nunca se encontra num estado "sério"), e muitas vezes é lhe sonegado o privilégio (?) de exercer cargos de relevo. No entanto, é lhe reconhecida criatividade e eloquência e de ter capacidade de adaptação e de promover um ambiente descontraído sobre os demais. Mas parece que no mundo empresarial, ser diferente e criativo é algo que é melhor... não ser. Não vá o Diabo tecê-las...

Paradoxalmente, o Sisudo pela sua postura, está sempre mais perto de ter melhores empregos, e como tal (teoricamente), de garantir uma "melhor qualidade de vida" (?) à sua esposa e aos seus hipotéticos filhos. (1). Digo paradoxalmente, porque se no início é isso que normalmente o parceiro do sexo oposto (ou do mesmo sexo, agora já dá... para casar) procura, os subsequentes meses de interacção com este tipo de personagem deitam por terra a maioria das possibilidades de se construir um relacionamento sério. É que a vida já é, na sua maioria, uma azeda compilação de rotinas diárias e se, além disso, ainda tivermos de nos comportar a full-time como uns "robots" ("não podes usar calças vermelhas que pareces uma malagueta", "É melhor usares o cabelo curtinho se fores a uma entrevista de trabalho", "Vamos fazer as coisas como deve ser... sexo é só na cama.... mas sem peúgas que eu sou muito séc. XXI") a nossa vivência fica muito perto da... demência.

O Brincalhão tem também alguns problemas nos seus relacionamentos, mas por outros motivos. (ele: "Amor, eu amo-te! " ela: "Ai, Zé Mário estás sempre a brincar....!" ele: "Estou a falar a sério!" ela: "Falar a sério? Então quando vires o homem que nunca fala a sério e que por acaso até é parecido contigo, diz-lhe que tenho saudades dele").

Noutro âmbito, há até quem defenda que o sorriso tem qualidades terapêuticas. Estudos recentes indicam que sorrir tem um efeito positivo activo sobre a saúde do Ser Humano, nomeadamente ao nível do combate à depressão, de diminuição da pressão arterial, etc etc.

Gosto tanto destes estudos científicos revolucionários de hoje em dia que confirmam a ancestral sabedoria popular que na época A.C. já defendiam que Rir é o melhor Remédio. Ah esperem... agora é "científico" o que quer dizer que só agora é que é verdade.

Obrigado, cientistas.

Mas afinal, porque riem as pessoas? Há quem defenda que as pessoas podem rir por estarem felizes ou por estarem nervosas. Por terem sido pais ou por o teste de gravidez ter dado negativo. É possível rir por termos um trabalho novo ou por finalmente deixarmos o antigo. É possível também rirmos se alguém dá com a testa numa ombreira da porta, mesmo que esse alguém seja nosso amigo. Mas só nos rimos se não for grave. Que estranho. Se for grave já não é aconselhável rir. Fica feio. A ferida e a atitude.

Curiosamente, e falando agora de formas de fazer humor, aquele que parece oferecer mais resistência é o chamado humor negro. Não há aqui nenhuma piada racial, estou a falar de rir e fazer piadas de pessoas que já morreram. É como se houvesse regras especiais, mesmo na comunidade humorística, que "ditam" que não se deve ir para além do aceitável. Eu, sem ser humorista, também não quero ir para o além até para não ser eu próprio objecto de piadas feitas pelos adeptos deste tipo de humor.

O Bruno Nogueira, do alto do seu 1,94m está claramente fora de qualquer tipo de barreira física ou imaginária de fazer humor. Ele está acima disso. literalmente. E se é verdade que "quem anda a chuva, molha-se", não deixa de ser verdade que ele devido a sua fisionomia pode-o fazer sem correr riscos de se molhar.

No fundo, rimos pelo facto de simplesmente o Mundo ter demasiadas incongruências que elevam valores basilares ao ridículo. Este Mundo circunferencial pejado de mentes quadradas dá-nos, amiúde, novas e variadas formas de rir. Do Mundo e de nós próprios, como um caminho para o profundo conhecimento de quem somos realmente.

E assim me despeço, sem deixar de dizer que "quem ri por último, ri melhor". O único problema disto é que o último a rir não vai ter plateia. Que pena.

(1) - Hipotético não é nome de família. Nem um Sisudo tem o direito de fazer mal às criancinhas.

P.S. - Dedicado a IpSIS verbis

quinta-feira, 15 de março de 2012

A Discriminação


Boa noite senhoras e senhoras, adeptas inequívocas da parvoíce atroz.

O tema que me leva ao vosso encontro nesta noite tórrida de Inverno (?) é a discriminação.

Segundo o dicionário, discriminação significa tratamento diferenciado ou prejudicial em relação as pessoas, sejam elas por motivos raciais, de sexo ou de idade.

Antes de me alongar mais, deixem-me dizer que o facto de haver este conceito, por si só, já descrimina as pessoas que descriminam.
E isso é, inequivocamente, um ato discriminatório, completamente inconcebível em pleno século XXI.

No século XXI, em que se vivem dias de perfeita harmonia das pessoas com valores, a palavra discriminação não devia existir.

É nobre um casal com bastantes filhos adotar uma criança para assim demonstrar publicamente a sua generosidade e o seu altruísmo. Lindo. "Olá Sra, Assistente Social! Eu sou o Sr. Bondoso que quer adotar. ainda dá para "escolher"? Se sim,  prefiro uma criança até 2 anos de idade, loira e de olhos azuis...". Não é discriminação. É opção.

Li na Maria + Atrevida que eram mais fáceis de educar.

No entanto, é inegável que de facto existe discriminação entre sexos. É frequente cobrarem-me 20 Euros ou mais para entrar na disco, e as meninas entram sem dizer "olá" ao porteiro. E se for lady's night ainda bebem de borla. Exemplo claro de discriminação.

Quem gere estas casas, defende que as mulheres dão bom ambiente ao seu negócio. As generalizações são perigosas. Tenho para mim, que se o "check in" fosse de dia, os porteiros pagavam à maioria das mulheres para não entrarem. A falta de luz discrimina. a falta de inteligência também.

Mas a discriminação existe de forma bem clara na questão racial. Eu gostava de ver a Seleção Francesa de Futebol, como europeia que é, jogar com algum jogador de raça branca. De igual forma e já que falo de futebol, acho inadmissível uma instituição centenária como o SL Benfica, clube do qual sou natural simpatizante, discriminar o jogador português.

Bem sei que o jogador nacional é de qualidade duvidosa e o Cristiano Ronaldo é o exemplo mais claro (não é piada racial) mas poxa, Sr Presidente! Gostava de ver a espinha dorsal da Seleção Nacional que prometeu em tempos, a jogar no meu clube!  Cordialmente relembro-lhe que segundo a Lei Bosman é possível ter jogadores portugueses a jogar de início na equipa principal.... isto mesmo tendo em conta que o SL Benfica é.. português.

Ainda para mais, sempre me ensinaram que Jesus não faz distinção entre, sexo, raça ou idade.

Por outro lado, estou frontalmente contra a evolução da espécie humana, já que ao preço a que os bronzeadores solares estão, não me parece justo que os indivíduos de raça negra estejam livres deste encargo que o resto da Humanidade tem. Se isto não é discriminação, é o quê?

De igual modo, sou amplamente descriminado quando vou a um buffet de comida asiática, já que quando começo finalmente a atinar com a forma de pegar na comida com os "pauzinhos" já as principais iguarias "voaram" para o Bruce Lee da mesa ao lado. A violência nunca é solução, muito menos neste caso. A mim sempre me ensinaram que não se deve ter atividade física enquando se faz a digestão.

Outro dos temas em que sou particularmente sensível, relaciona-se com pessoas com deficiência. Ora, é frequente comover-mo-nos com o fato de alguém não ter uma perna, ter algum tipo de problema motor ou simplesmente ter um "atraso". E também é frequente ajudar-mos essas pessoas com dificuldades ou, fazer algo que talvez não fizéssemos se as pessoas fossem "normais". Pura discriminação. Adotamos comportamentos diferentes porque as pessoas têm características diferentes.

Na escola há discriminação pelo tipo de roupa que os alunos usam. Quem não se encaixa no padrão é ostracizado. Em relação ao aproveitamento escolar também. Se houver alguém que se desvie da mediocridade do aproveitamento escolar dos alunos, essa pessoa é automaticamente posta de parte. Ser fixe é ser mal-criado. Isso de ter boas notas é coisa de "betinho".

A noite já vai longa e eu não tenho intenção de descriminar todas as vertentes da discriminação.